O Fim: A prisão de Arruda deve ser decretada nas próximas horas.


ARRUDA QUER SER PRESO

Já se fala abertamente em intervenção federal no Distrito Federal e até na prisão do governador José Roberto Arruda. Aliás, o vice-governador Paulo Octávio, o PO, mesmo chamado de Pior, tem razão quando diz: “São uns amadores”.

Não dá para acreditar que o jornalista Edson Sombra tenha em mãos um bilhete com a letra do próprio Arruda, tentando comprar a mudança do seu testemunho na Operação Caixa de Pandora. Isto é: Arruda estendeu as mãos para as algemas da Polícia Federal. Pediu para ser preso, pois claramente está cerceando as investigações de corrupção no seu próprio governo.

No episódio de ontem, da tentativa de suborno, aparece como elemento comprometedor o deputado Geraldo Naves (suplente do DEM, ocupando vaga na Câmara Legislativa). Ele teria iniciado o processo de cooptação do jornalista Sombra, a pedido do governador. Naves adota na Câmara aquele estilo machão do programa de TV Barra Pesada, no qual ganhou certa notoriedade.

Esse deputado tornou-se figura expressiva no escândalo que atinge Brasília, ocupando funções como líder do governo, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e membro da CPI da Corrupção. No entanto, o seu papel principal é a agressiva defesa dos interesses do governador, anulando iniciativas isoladas que tentam agilizar as investigações no Legislativo.

Cresce em Brasília a sensação de que algo mais grave vai ocorrer nas próximas horas no que se refere à crise política que cerca o governador do Distrito Federal. Pressionado ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, disse que há prazos que precisam ser cumpridos, mas sabe-se que setores expressivos da Justiça têm se reunido nas últimas horas, analisando novos materiais levantados pela Polícia Federal e avalizados pelo Ministério Público, que demonstram o comprometimento da estrutura de governo em nível além do suportável.

O episódio de ontem foi a gota d’água, trazendo o governador Arruda para dentro de um processo de flagrante de suborno, quando fica demonstrado que ele, com um bilhete escrito com a própria letra, tentou cooptar a segunda testemunha mais importante da Operação Caixa de Pandora, o jornalista Edson Sombra, que ajudou o ex-secretário Durval Barbosa a editar os vídeos comprometedores e tem em seu poder cópias de todas as gravações.

Além disso, a Polícia Federal tem provas de que o dinheiro (avaliado em R$ 200 mil), repassado para Edson Sombra no processo de flagrante delito de ontem, teria vindo de Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário-particular do governador. Um conselheiro do Metrô do DF, Antônio Bento, que levou em termos finais as cédulas até o jornalista Sombra e foi filmado fazendo a entrega, teria confirmado o comprometimento da estrutura de governo, em depoimento ontem na Polícia Federal.

Assim, crescem pressões em busca de uma intervenção federal no DF, assunto tratado ontem pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB), com o ministro Gilmar Mendes. Mesmo sabendo-se que há prazos a serem cumpridos, agravou-se a avaliação crítica dos poderes brasilienses, quando se constata que a Câmara Legislativa do DF não respondeu a questionamento feito pelo STF desde dezembro do ano passado.

Esta é uma questão sem explicação por parte dos deputados distritais, inclusive porque, durante todo o mês de janeiro, quem presidiu a Câmara foi o deputado petista Cabo Patrício. Ele não explicou até hoje porque deixou de responder a pedido de informação do STF relativo ao dispositivo da Lei Orgânica do DF, pelo qual o governador só pode ser processado pelo Superior Tribunal de Justiça se a Câmara Legislativa permitir.

Após a posse do novo presidente do Legislativo, o arrudista Wilson Lima (PR), o assunto não voltou a ser tratado, sabendo-se que o ofício do STF continua retido na Procuradoria da Câmara. Nessas condições, o Legislativo amplia o seu grau de comprometimento na crise moral que atinge o Distrito Federal, deixando a Justiça sem opção caso haja o afastamento do governador Arruda e do seu vice, empresário Paulo Octávio.

São situações que se tornam muito transparentes e que estão sendo analisadas em níveis diferenciados da Justiça. O Distrito Federal está sofrendo graves prejuízos. As festividades relativas aos 50 anos de Brasília (dia 21 de abril) não têm até hoje programação definida, depois de planos frustrados para se fazer show com Paul McCartney ou Maddona.

O principal projeto do governo Arruda, de implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), teve empréstimo suspenso pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o que gera incerteza sobre a continuação das obras, já iniciadas na principal avenida de Brasília, a W3 Sul.

Muitas outras incertezas cercam a população de Brasília, convivendo com um governo em que o governador não pode ter contato com o público, mantendo-se isolado na residência oficial de Águas Claras desde 27 de novembro do ano passado, com eventuais idas ao palácio improvisado de Buritinga (na cidade de Taguatinga).

Ele circula em carros com película escura ou em helicóptero. De vez em quando, divulga fotos de visitas a obras, nas quais não se percebe contato com a comunidade. É um governo refém da crise, tentando demonstrar normalidade, mas envolto em escândalos crescentes. E a população fica perplexa, sem saber o que fazer e sem imaginar o que pode acontecer depois de tudo isso.
BLOG DO RIELLA

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