Liliane Roriz (PRTB) desponta como uma das favoritas para Câmara Distrital nessas eleições e revela em entrevista sua preocupação com o social.


Preocupada com o social

Só quem é filha de uma pessoa tão conhecida na cidade, ao mesmo tempo tão polêmica, sabe a dor e a delícia de viver esses últimos meses. A caçula de Joaquim Roriz e Weslian Roriz é jornalista de formação acadêmica, mas política de sangue. E agora mais. Com vontade própria.

Em um bate papo descontraído, Liliane Roriz deixou claro que tem personalidade e intenções bem íntimas para a Capital.

Mãe de Bárbara, mulher, dona de casa, profissional, ela tem conhecido um outro lado do Distrito Federal e garante estar comovida. “Quando fazemos jornalismo, temos sempre a vontade de mudar o mundo. É preciso fazer a nossa parte, principalmente quando se conhece todos os lados de uma sociedade”, diz.


Quais os ônus e bônus de ser filha de Joaquim Roriz para uma jornalista e aspirante a uma cadeira na Câmara Legislativa?

Liliane Roriz: Muito mais ônus que bônus. As pessoas que não me conhecem ainda têm preconceito por serem contrárias ao meu pai. Muitas pessoas são do contra, e as pessoas não dão nem oportunidade para saber quem é você, o que você pensa, o que você quer. Algumas se afastam. Na carreira como jornalista, por exemplo, muitas críticas e muitos acham que você só conseguiu chegar a algum lugar por ser filha do Roriz. Em alguns momentos, mexe com a autoestima. Mas eu encarei isso sem problemas, quis tocar minha vida. Fiz aquilo que eu sempre quis, eu sempre exerci um papel importante na minha vida que é ser eu!

Então você foi você mesma quando escolheu entrar para a política, não foi influenciada?

Cresci com o meu pai na política e isso vai enraizando. Você acaba vendo as coisas de uma forma diferente, tomando um gosto, o gosto de fazer política do bem. Ao contrário do que muita gente pensa, principalmente as classes A e B, ele plantou muita coisa boa nessa cidade e injustamente, o preconceito contra ele é muito grande. Eu penso que entrando para a política eu posso mostrar para as pessoas uma coisa diferente. Não estou brincando, foi uma coisa amadurecida. Tenho muitos compromissos comigo mesma e com a população dessa cidade.

Mas seu pai apoiou?

Ele nunca quis, mas em um certo momento, a minha mãe disse: “Não vamos fazer isso com ela, pois estaremos violentando a vontade dela”. Hoje, eles estão surpreendidos. E eu, posso garantir que me encontrei.

Para dar continuidade à política de seu pai?

Eu tinha uma vida sossegada, hoje tenho uma responsabilidade diferente. A única pessoa que entende e que sabe verdadeiramente o que eu quero fazer sou eu mesma, não é meu pai, nem minha mãe. Vejo muita gente que recrimina a política assistencialista. Mas como não ser? Falam que Roriz é o pai dos pobres, e quando o pai dos pobres não estiver mais aí, quem vai cuidar desse povo? Rico precisa de política? Quem precisa de política é a pessoa mais humilde, é quem precisa do ônibus, de escolas públicas, hospitais públicos. Roriz é o pai dos pobres, Lula é endeusado. O Brasil é um país de gente pobre. O que vai ser dessas pessoas?

Isso é o que pensa a Liliane política ou a Liliane filha do Roriz?

A Liliane política, filha do Roriz, a jornalista é uma só. E essas três coisas se juntam e me dão uma característica que é muito forte na minha personalidade: a preocupação social. Como jornalista, sempre busquei apontar soluções, nós, jornalistas, temos um papel social muito sério, e nosso compromisso com o povo é muito grande. Assim, se misturam as Lilianes. Todas elas têm a mesma preocupação.

E qual dessas “Lilianes” viu a situação mais chocante que te fez pensar e acreditar que poderia mudar a situação?

Durante essa minha caminhada eu fui em muitos lugares que você não tem noção. Um quadrado pequeno de madeirite com cinco crianças, um fogão, e o banheiro é fundo do quintal. Coisa absurda. E na capital. O que será dessas pessoas no futuro? Eu quero sim e posso mudar essa realidade. Se não de todo mundo, posso ser uma semente. São essas as pessoas que estão precisando no momento e quero continuar as políticas de estar perto do povo. Melhora a qualidade de vida dessas pessoas. Afinal, qual o propósito de entrar na Câmara Legislativa se os projetos forem pessoais? Eu quero servir, faço por amor, por muita vontade, quero ao menos plantar uma semente onde as pessoas percebam que tem alguém querendo mudar.

Não estaria sendo filosófica demais?

Podem me chamar de filosófica, não importo. Mas eu quero lutar muito por essas pessoas. A 20 quilômetros do Plano Piloto está São Sebastião, e tem bairros lá que você não acredita... Hoje eu vi em um lote, seis famílias morando. O que você vai fazer? Nada? Vai colocar fogo nessas pessoas? E aí? Qual é o futuro deles? Temos que fazer algo pelas pessoas. Brasília está cheia de crianças, precisamos de creches, de escolas, curso profissionalizante, esse é meu grande sonho. A escola, sempre foi a nossa segunda casa, mas para muita gente ela é a primeira casa. Se não for assim, não teremos resgate nenhum. E tem que pensar muito grande, para ter resgate. Não adianta uma creche aqui, outra ali. O futuro se não for assim, será caótico, com onda de violência enorme... Brasília tem que acordar, é muito grave! Eu queria que jornalistas que falam bonito, que entrevistam as pessoas na TV, enxergassem isso, não dá para colocar venda nos olhos. O jornalismo não é só denuncismo. Tem que provocar a mudança.

Você disse que seus pais se surpreenderam com você. E sua filha?

Bárbara fará 18 anos no dia 3 de outubro. E ela vê meu entusiasmo minha transformação e vê que foi uma coisa muito positiva para a vida dela também. Ela falava: “Política, nem pensar”. Mas ela é uma intelectual, lê bastante, quer fazer filosofia. E começou a entender que não ia ver a coisa passar pela minha vida, quis participar, mais para me apoiar. Hoje ela está toda engajada, montou um grupo em Santa Maria que trabalha com adolescentes a arte, a música e o esporte. Gostei de ver a atitude dela.

Em campanha e com tantas intenções, tanto engajamento, sobra tempo para as “coisas de mulher” como preparar um prato, ir ao salão?

(Risos) Não vou mais ao salão de beleza. Arrumo o cabelo porque preciso arrumar. Você tem que despreocupar com isso. Estou focada. Por enquanto não dá, se der, deu. Se não der, deixe como está, tem Photoshop.

Entrevista concedida ao jornalista Lívio di Araújo, publicada na edição de quinta-feira (16), no Jornal Alô Brasília.

Site Oficial da Candidata a Deputada Distrital Liliane Roriz (PRTB)

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